sexta-feira, 24 de julho de 2009

Schopenhauer

“Schopenhauer acreditava que a vida é uma roda de carência seguida de saciedade. Ficamos satisfeitos quando saciados? Por pouco tempo. Quase em seguida somos invadidos pelo tédio e obrigados a agir para escapar do horror do tédio.
- Trabalho, preocupação, cansaço, problemas é o que enfrentamos quase a vida inteira. Mas se todos os desejos fossem satisfeitos de imediato, com o que as pessoas se ocupariam e como passariam o tempo? Suponhamos que a raça humana fosse transferida para Utopia, lugar onde tudo cresce sem precisar ser plantado e os pombos voam assados ao ponto, onde todo homem encontra sua amada na hora e não tem dificuldades em continuar com ela: as pessoas então morreriam de tédio, se enforcariam, se estrangulariam ou se matariam e assim sofreriam mais do que já sofrem por natureza.
-Por que o tédio é ruim? Por que lutamos para afastá-lo? Porque é um estado do qual não conseguimos nos livrar e que vem logo mostrar verdades subjacentes e desagradáveis sobre a vida: a nossa insignificância, a falta de sentido da vida, nossa inexorável caminhada rumo à velhice e à morte.
Portanto, o que é a vida senão um ciclo infinito de querer, satisfazer, entediar-se e depois querer de novo? Essa seqüência vale para todas as formas de vida? É pior para humanos, diz schopenhauer, pois à medida que a inteligência aumenta, cresce também a intensidade do sofrimento.Existe alguém feliz? É possível ser feliz um dia? Schopenhauer acredita que não.
- Em primeiro lugar, o homem nunca é feliz, porém passa a vida lutando por algo, pensando que vai fazê-lo feliz, não consegue, e, quando consegue, se desaponta: é um naufrago e chega ao porto sem mastros nem cordames. Portanto, não se trata de ser feliz ou infeliz, pois a vida não é senão o momento presente, que está sempre sumindo e, finalmente, se acaba."

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